As Bem-aventuranças
Que tipo de lógica Jesus usa quando afirma que aqueles perseguidos por sua justiça são, na verdade, bem-aventurados?
- Categoria: Geral
- Publicação: 03/03/2026 23:03
- Autor: Pastora Helem Soares
As Bem-aventuranças são amplamente conhecidas e amadas, mas podemos lê-las superficialmente, sem refletir sobre sua mensagem. Além disso, podem ser difíceis de entender. Afinal, o que Jesus quer dizer quando ensina que os “pobres de espírito” têm o Reino ou que “os que choram” encontrarão consolo? Que tipo de lógica Jesus usa quando afirma que aqueles perseguidos por sua justiça são, na verdade, bem-aventurados?
Precisamos identificar o que são as Bem-aventuranças para discernir como elas funcionam. Devemos vê-las como convites de Jesus, moldados pelo Antigo Testamento, dirigidos aos que estavam vazios e destinados a produzir fé em Cristo. Quando as lemos corretamente, percebemos que são um dom bom e gracioso de Jesus, que nos aponta para a vida bem-aventurada.
Cada uma das Bem-aventuranças começa com a palavra grega makarios, frequentemente traduzida nas Bíblias em inglês como “bem-aventurado”. O termo se refere ao estado de felicidade de alguém que está vivendo uma vida boa.
O que isso significa para a nossa compreensão das Bem-aventuranças? Significa que Jesus começou seu sermão com a intenção de despertar nosso interesse, convidando-nos à boa vida. Ele prende nossa atenção oferecendo-nos uma felicidade profunda e duradoura, caso demos ouvidos aos seus ensinamentos. De fato, a primeira palavra que sai de sua boca é “makarios” e, caso não tenhamos percebido, Ele a repete mais oito vezes no parágrafo inicial do sermão.
Os repetidos convites de Jesus nos motivam ao acessar nosso desejo inato, dado por Deus, de felicidade e alegria duradouras, e nos guiam para essa existência feliz, apontando-nos para a sua fonte. Como Jesus diz no final de seu sermão, esses ouvintes são como um homem sábio cuja casa está construída sobre a rocha e nunca é abalada. (Mateus 7:24-25)
As Bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Evangelho de Mateus 5 estão profundamente enraizadas nas promessas do Antigo Testamento. A declaração sobre os pobres de espírito encontra eco em Salmo 34:18, Isaías 57:15 e Isaías 61:1, onde o Senhor se revela próximo dos quebrantados e envia boas-novas aos humildes. O consolo prometido aos que choram está ligado a Isaías 61:2–3, que anuncia restauração e alegria aos enlutados.
A promessa de que os mansos herdarão a terra remete a Salmo 37:11, com referência também a Deuteronômio 4:38, destacando a herança concedida por Deus aos que confiam n’Ele. A satisfação dos que têm fome e sede é antecipada em Salmo 107:5 e 9, que afirmam que o Senhor farta a alma necessitada. A bênção sobre os misericordiosos encontra fundamento em Provérbios 14:21, que declara feliz aquele que se compadece dos necessitados. Por fim, a promessa de que os puros de coração verão a Deus está relacionada a Salmo 24:3–4 e Salmo 73:1, com eco também em Gênesis 20:5, apontando para a integridade interior necessária para estar na presença do Senhor.
Pastora Helem Soares
Igreja Por Ele